sábado, 28 de março de 2015

A culpa é da Frasqueira? Possíveis razões para os baixos públicos nos jogos do ABC.

Mais uma vez, chamou a atenção o publico presente no Frasqueirão no jogo de hoje a tarde. Apenas 3.300 torcedores compareceram, mesmo com o jogo sendo em um horário excelente e com o tempo apresentando condições propícias para um programa vespertino de assistir uma partida de futebol.
Logo de cara, a imprensa acusou a nossa torcida de estar decepcionando, de não estar comparecendo. 

E logo veio a declaração jocosa de que o torcedor do ABC só tem aparecido nas redes sociais e não vai ao campo. Nunca uma declaração foi tão distante da realidade, pois quem foi ao estádio hoje viu que quase TODOS os torcedores mais assíduos e famosos em Facebook, Twitter, Instagram, etc. estavam presentes.
Se houver algum dia alguma amostragem científica pra apurar quantos "torcedores de redes sociais" o ABC possui, provavelmente o numerário no máximo chegará a 1.000, 1.500, número que perfeitamente pode estar contido no universo dos 3.300 que compareceram hoje.
Dito isso, importante lembrar que a maioria - senão a unanimidade - dos "torcedores de Facebook" apostaram em um público que girava em torno de 3000 a 5000 presentes. Ou seja, o público de hoje não chegou a ser uma novidade negativa.
A verdade que vem sendo ocultada ou não debatida pela imprensa é que quem se afastou foi o povão, o torcedor mais pobre, o grosso da Frasqueira, aquele que não atua nem "corneta" em redes sociais.

O torcedor mais humilde, ou mesmo aquele sujeito classe média baixa - que é a maioria da população do RN e da nossa torcida - é quem de verdade está ausente e com várias razões e motivos que listaremos a seguir:

1-Ingresso caro:
R$ 30,00 é um preço ainda muito alto pra realidade do RN. Não adianta negar. Ainda que o salário mínimo e o poder de compra tenham se elevado nos últimos anos, não tem cabimento gastar tal valor numa partida de futebol, ainda mais em se tratando de uma competição tão pouco atrativa como é o Estadual nos dias de hoje.
Se não dar pra baixar o preço do ingresso, que ao menos se crie um setor com ingressos a preços populares. Porque não setorizar o Módulo 3 e vender ingressos a R$ 10,00 ou R$ 15,00?  Melhor do que organizar essas promoções pífias, que são feitas de forma tão bisonha justamente para dar errado e justificar ingressos caros.
2-Sócio-Torcedor caro, ultrapassado e com poucos atrativos:
Essa semana Mauro Cezar Pereira fez uma crítica pesada aos clubes, acusando-os de implementarem uma ditadura do Sócio-Torcedor e de discriminarem e afastarem dos estádios os torcedores mais pobres que não têm condições de aderir a um programa que muitas vezes é caro e que não tem qualquer vantagem ou atrativo além de entrar nos jogos.

Em se tratando de ABC, o programa Sócio Mais Querido é voltado exclusivamente para quem tem um poder aquisitivo médio-alto e dificulta de sobremaneira a vida do torcedor menos endinheirado. Os preços e formas de pagamento em vários casos são obstáculos intransponíveis. O plano não oferece qualquer atrativo além da entrada ou desconto nos ingressos dos jogos e é claro, de ter o direito de votar e ser votado nas eleições. Se o ABC tivesse uma estrutura física, uma sede social, ou se firmasse convênios com empresas que ofereçam serviços de lazer e esporte como academias, cinemas, teatros, etc. para ter desconto, o programa teria um enorme upgrade. Do jeito que está, melhor mesmo é fazer ENEM, entrar na UFRN e providenciar sua carteira de estudante.

E a filosofia dominante de quem administra o programa é de que o torcedor deve se dar por satisfeito porque o objetivo é apenas ajudar o clube. E qualquer reivindicação ou sugestão  será desdenhada pelos "jênios" que comandam a diretoria. E quem não tiver condição de ser sócio é um falso ABCdista.

3-Custo Frasqueirão:

Hoje mesmo eu tomei uma latinha de 350 mLPepsi que possivelmente tinha partículas de diamante em sua composição química, pois paguei a bagatela de R$ 5,00. Após o jogo, fui jantar em um restaurante perto e paguei R$ 3,50 por uma garrafa de 500 mL de Aquarius Fresh Limão.

Esse fato por si só resume o quão absurdo são os preços cobrados dentro do Frasqueirão, que são similares aos também abusivos preços no Arena das Dunas. E para quem leva o filho ao estádio, as despesas aumentam, já que o pimpolho normalmente adora comer enquanto assiste o jogo.

Com R$ 20,00, o sujeito só consegue consumir 1 saco de pipoca Bokus (que na rua custa menos de R$ 1,00 o pacote maior), 1 refrigerante, 1 copo d'água e ainda tem que deixar algum trocado (podendo chegar a R$ 5,00) pra pagar o estacionamento. Com essa grana é possível consumir algumas rodadas de cerveja ou espetinhos em algum boteco onde  passa o jogo na TV. E ainda poder contar com o conforto de que se deslocou 200m pra ver o ABC jogar.

Nada substitui a emoção de estar em campo, empurrando o time. Mas o torcedor também tem que ser racional quando constatar que, para entrar dentro do estádio, terá que desembolsar uma dinheirama que certamente pode fazer falta no fim do mês, na hora de pagar as despesas do lar. É isso que está acontecendo.

4-Falta de Transporte Público / Descaso do SETURN:

Natal hoje é talvez uma das capitais com a pior mobilidade urbana. As ruas e avenidas, a locomoção em geral, só tem como foco o veículo individual. Não é a toa que, mesmo com as famigeradas obras de mobilidade decorrentes da Copa, a cidade continue sofrendo com engarrafamentos.

Além disso, o transporte público é bastante escasso e refém dos desmandos da SETURN. E para os jogos do Frasqueirão, as empresas praticamente não disponibilizam de linhas urbanas que liguem Ponta Negra as diversas regiões da cidade. Muitas vezes o transporte de massa é feito porque algumas torcidas organizadas ou abnegados fretam ônibus por conta própria.
A maioria da Frasqueira depende de ônibus para ir ao campo. Sem isso, ela não vai.

5-Concorrência da televisão:

Aliada ao custo Frasqueirão, a TV tem tirado o torcedor do campo. O jogo de hoje foi transmitido pela EI Nordeste. E o torcedor mais humilde e marginalizado pela diretoria elitista, querendo uma maior comodidade e maior economia, opta por assistir o jogo no boteco da esquina.

6-Prepotência e antipatia da diretoria:

Os atuais dirigentes do ABC vem esbanjando uma enorme arrogância perante o público. As entrevistas dadas por Rogério Marinho e Stênio Dantas, p. exemplo, foram verdadeiros desastres que, ao invés de emular a Frasqueira, colabora com a dispersão desta. A culpa é sempre do torcedor ou da oposição ou da gestão anterior que terminou em 2009.
Não se ver mais aquela energia positiva de outros tempos. As declarações que chegam ao público muitas vezes soam como acusações e em momento algum a gente ver eles pedirem desculpas ou reconhecerem seus erros. 
Como vocês podem perceber, eu nem adentrei na questão do desempenho do time dentro de campo ou da filosofia ultrapassada de fazer futebol ou nos problemas de gestão.
E mesmo assim, sobram razões para que os públicos nos jogos do ABC sejam pífios.

Gustavo Lucena

2 comentários:

JOSIMAR disse...

Amigo GUSTAVO ESSE SEU ARGUMENTO NÃO ME CONVENCEU, A CULPA É DO TORCEDOR SIM ,E EU TE EXPLICO PRA SE TORNAR UM SÓCIO TORCEDOR VOCÊ PRECISA APENAS PAGAR 12 PARCELAS DE 50 REAIS ,E VAI TER DIREITO DE ASSISTIR A TODOS OS JOGOS ONDE ABC FOR MANDO DE CAMPO,ENTÃO VEJAMOS TERÁ MÊS DE VOCÊ TER ATE 6 JOGOS PARA ASSISTIR, QUANDO FIZER AS CONTAS SEU INGRESSO VAI SAIR EM TORNO DE 10 REAIS,QUER MAIS MOLE DO QUE ISSO COMA PAPINHA , OLHA POR MOTIVO DE SAUDÊ EU NÃO ESTOU PODENDO COMPARECER A OS JOGOS DO MAIS QUERIDO MAIS O MEU CARTÃO ESTA PAGO ATE JANEIRO DE 2016 UM ABRAÇO PARA O VERDADEIRO TORCEDOR...

Eduardo disse...

Desculpe amigo, mas, concordo com Gustavo, vejamos só dois fatos fará você repensar:
50,00 R$ realmente é alto, para a massa torcedora do ABC, você acha que o povão torcedor do ABC vai a 6 jogos por mês? vai não amigo.
Estudante uma massa grande é estudante que já naturalmente para a metade do valor do ingresso. Uma parte pode e quer ajudar o ABC, não vai as vezes nem 2 jogos por mês devido a faculdade. deveria ter um plano específico para essa classe.