domingo, 24 de março de 2013

Em tempo: Até quando as organizadas poderão bater e matar?

Os atos violentos provocados por briga de torcedores fez mais uma vítima em Natal. Os autores das cenas de truculência são os mesmos: integrantes de torcida organizada. A vítima foi uma senhora de 38 anos que estava na calçada de sua casa, juntamente com sua filha, quando foi atingida, no domingo passado, por uma bala perdida disparada por um integrante da Torcida Massa Vermelha. O criminoso, que foi condenado em momento anterior por tentativa de homicídio, queria acertar um integrante da Torcida Garra Alvinegra, que estava em confronto com outros integrantes de organizadas, no bairro de Tirol.

Seria um ledo engano de minha parte acreditar que esse crime poderá fazer surgir medidas efetivas com intuito de combater a violência relacionada aos jogos de futebol. Confesso que não vislumbro uma ação positiva por parte da FNF, TJD, ABC, América e MP, contudo não posso, como ser humano e torcedor, me calar diante da tentativa desses criminosos de acabar com o brilho do esporte mais fascinante do mundo, manchando-o com sangue e espalhando medo entre os torcedores, que a cada dia deixam de freqüentar os estádios.

Não é preciso muita inteligência para perceber que boa parte do problema reside nas chamadas torcidas organizadas. Essas facções – que em sua maioria não tem compromisso com a beleza do futebol – se envolvem quase que semanalmente em confrontos que culmina com vidas ceifadas e inúmeras pessoas feridas. Não devemos olvidar que elas não cumprem o estabelecido no Estatuto do Torcedor que obriga que façam um cadastro de seus integrantes. As músicas e gritos de ordens entoados pelas organizadas mostram bem o seu caráter violento. Expressões como “morte”, “te pegar”, “quem comanda?”, “quem manda?” são as preferidas pelos compositores Poucos desses hinos enaltecem as conquistas de seus clubes, mas sim a supremacia do grupo em determinados bairros e sempre recheada de ameaças ao adversário e linguagem obscena E o nome? Aqui em Natal tem a ‘Gang’ e ‘Máfia’ – embora o MP determine a mudança da nomenclatura todos conhecem assim. Um nome desses já diz muito, né?

Dirão alguns: mas a contribuição que as organizadas dão para o clube? É inegável que eles sempre estão presentes nos jogos de seus clubes, seja como mandante ou visitante. Chegam cedo aos estádios, preparam os instrumentos, erguem bandeiras – dos clubes ou das organizadas?!! – e apóiam os jogadores durante a partida. Pode ser na final da Libertadores ou jogo do estadual em que o clube está com time reserva. Contudo o fechar de olhos de seus dirigentes ao fato de que os integrantes das organizadas promovem verdadeiras batalhas campais joga um fatal descrédito sobre esses grupos.

Ora, seria muita pretensão das organizadas acreditarem que somente elas podem promover festa de apoio ao clube. Pesquisa feita recente mostra que muitos torcedores afirmam que iriam ao estádio se não existissem essas facções. Como ir ver o jogo do Palmeiras se o líder da organizada foi punido por se envolver em brigas? Ou assisti um do Corinthians depois do acontecido na Bolívia? Ou ver o Grêmio na Libertadores ao lado da “Geral do grêmio”? Só se for um suicida ou grande apaixonado por seu clube.

Ainda destaco o aspecto mais negativo de todos: o silêncio dos organizadores da competição e o apoio dos clubes ao o que batem e matam. É de se lamentar profundamente que instituições responsáveis pela organização do futebol profissional não tomem medidas coercitivas e preventivas diante de tanta violência. O exemplo mais recente foi a branda punição dada ao Corinthians, mesmo tendo a sua maior organizada tirado a vítima de um jovem de apenas 14 anos. A mensagem dada pela CONMEBOL é a de que podem bater e matar e nada acontecerá. Não é muito diferente aqui na FNF. Já teve recentemente várias cenas de violência envolvendo a “TMV” e “TGA” e qual punição dada a esses grupos? Os seus dirigentes dão explicação a FNF? Os envolvidos nas confusões estão proibidos de entrarem nos estádios? Os clubes foram punidos? A resposta para essas perguntas é que nada foi feito. Já em relação ao Ministério Público, que deverá atuar nesse casos como fiscal da lei,  pouco fez nesses últimos anos. Já em relação ao arremedo de tribunal desportivo que existe no RN (TJD-RN) me pouparei de fazer algum tipo de comentário.

Em relação aos clubes me provoca espécie esse apoio. Não posso afirmar de forma precisa até onde vai a relação de ABC e América com as maiores organizadas Torcida Massa Vermelha e Torcida Garra Alvinegra, respectivamente, contudo sei que a TGA recebe cortesia do clube. O “poder” das organizadas não para por aí!! Lembram da intimidação de alguns integrantes de organizadas quando em 2011 exigiram, e de pronto foram atendidas, uma reunião com os jogadores no local de treino? Um absurdo! Os clubes já viraram refém das organizadas. Os dirigentes de clubes não entendem que os poucos benefícios dados pelas organizadas logo são superados pela violência promovida por elas.

Embora promovam desordem, ferimentos e mortes, as organizadas estão longe, infelizmente, de chegarem ao fim. O basta necessário está muito distante. Resta indagar quantos terão que morrerem para que as medidas sejam tomadas? Até quando essas torcidas organizadas continuarão se apoderando do futebol natalense para promoção da violência? Com a resposta ABC, América, FNF, TJD-RN e MP. Pena que já sei qual é.

3 comentários:

Andierison disse...

Absurdo essas organizadas existirem. Deveriam ser banidas do futebol.

Idamylton Garcia disse...

Isso é reflexo do descaso do governo com a população. Não existe educação, não existe campanhas eficientes para tirar os jovens das drogas, etc. A maioria desses atos violentos ocorre fora dos estádios e muitas vezes não tem nada haver com futebol ou torcida, mas sim rixas de bairros e tráfico de droga. Será até quando vamos tentar tapar o sol com a peneira achando que essa violência toda é por causa do futebol? A imprensa vende essa mentira, por todo assunto ligado a futebol chamar atenção em nosso país e o povo cai na onda... Até quando vamos ignorar que um problema social?

Breno Cardoso disse...

gostei muito do texto

Eu acho que o fato da extinção das organizadas meio complicado, pois nelas tem muitas pessoas de bem que fazem ações sociais, e muitos não bagunçam durante as partidas. Mas por outro lado, quanto mais crescem mais difícil ficam de se controlar. Outro problema também é a acessibilidade dos uniformes das torcidas, qualquer pessoa compra e já é identificado como membro da torcida organizada muitas vezes sem nem fazer parte dela de verdade.


O MP tem que aproveitar esses fatos recentes para fechar o cerco com essas "organizadas".