sexta-feira, 30 de novembro de 2012

De quem é o Brasileirão? (parte I)

O Campeonato Brasileiro vive um momento ímpar em toda a sua história. Talvez nunca a competição nacional tenha ganhado tanto destaque no cenário internacional, isso também graças ao fato do Brasil ser sede da Copa do Mundo FIFA 2014. Na contramão dessas conquistas, os cartolas brasileiros conseguem agir de forma cada vez mais amadora fazendo com que nossos clubes não aproveitem todo o potencial do forte futebol brasileiro.

São várias ações que impedem o crescimento do nosso futebol, contudo todas tem a gênese em uma questão central: de quem é o Brasileirão? A resposta não é das mais fáceis, mas uma análise esmiuçada leva a crer que a competição é apenas organizada formalmente pela CBF, porém é de fato pelas Organizações Globo. Tal modo de gerir a competição nacional é por demais diferente das principais competições mundiais.

O poder do conglomerado da família Marinho sobre os clubes nacionais foi fortalecido com a implosão do Clube dos 13 (C13) e da Futebol Brasil Associados (FBA), empresas que geriam comercialmente o Campeonato Brasileiro Série A e Série B, respectivamente. O primeiro deu-se em virtude da possibilidade da primeira licitação – de forma transparente e vantajosa para os clubes – do direito de transmissão da competição em sua divisão principal. A Globo preferiu não participar do processo licitatório e negociou individualmente com os clubes. Milhões de reais foram para o ralo. Os prejuízos reais para os clubes surgiram meses depois.

Já a FBA desapareceu depois de um ato autoritário da CBF. A entidade maior do futebol nacional, presidida na época pelo inescrupuloso Ricardo Teixeira, revogou os direitos de a FBA negociar a transmissão da Série B. Agora a CBF quem faz as negociações sem oportunidade de participação dos clubes no processo.

Após a eliminação desses atravessadores – que eram aliados da Globo, mas podiam a qualquer momento gerar problemas para emissora como ocorreu com o C13 – houve uma um expansão da apropriação desse gerenciamento sobre a competição. As Organizações Globo transmitem os jogos do Brasileirão – através dos canais Globo, Sportv e PFC -; tem o direito de sublicenciar tais direitos, como ocorre com a parceria feita com a Band; negociar individualmente com clube os valores referente aos contrato de direito de arena nas plataformas TV Aberta, TV Fechada, pay-per-view, Internet, Celular e TV Internacional; define as regras relacionadas a possibilidade de venda de nome dos estádios utilizadas na competição para empresas; define os valores recebidos por clube a título de premiação; gerencia e explorar comercialmente o fantasy game da competição (Cartola FC) sem, salvo juízo de melhor valor, repassar valores algum para os clubes e organiza, junto com a CBF, a festa “Craque do Brasileirão”, onde se escolhe os melhores da competição e se premia os campeões (todo processo de votação é feito através do GE.com). Já a CBF elabora (será mesmo?) e divulga a tabela e regulamento da competição.

Essa forma de organização do principal nacional do mundo está muito distante da forma ideal. É óbvio que não pode a CBF representar aos clubes frente às empresas. Tal representação deveria ocorrer por meio de uma liga independente formada pelos clubes disputantes da competição. É difícil entrar em minha mente que os dirigentes da CBF estejam preocupados com a situação financeira periclitante que passa os nossos clubes. Os interesses dos clubes devem ser defendidos pelos próprios clubes.

Se não deve fica a cargo da CBF o gerenciamento comercial da competição máxima, imagine quando se encontra nas mãos de uma empresa. É um verdadeiro suicido. O acordo comercial, mas parece um conchave. Os interesses particulares parecem ser o objeto.

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Um comentário:

Breno Cardoso disse...

A RedeTv! venceu a licitação do Clube dos 13 Tv Aberta, como única participante. E a ESPN Brasil participaria da Licitação para Tv Fechada e com certeza colocaria uma proposta alta.

Eu tenho certeza que se a RedeTv! tivesse consolidado a vitória no clube dos 13, iria transmitir o máximo número de jogos que podesse. Tenho certeza que teríamos 2 jogos na quarta e 2 na quinta em bons horários e também 2 jogos aos sábados e 2 aos domingos.

Se a ESPN Brasil tivesse participado e vencido a licitação para a Tv Fechada seria ainda melhor, pois tem 3 canais e teria a possibilidade de passar 3 jogos ao mesmo tempo. O Pay-Per-View do PFC iria morrer junto com os canais SporTv sem o seu principal produto.

Infelizmente a Globo mexeu os seus pauzinhos e conseguiu fazer aquela sujeirada toda pra manter os direitos de transmissão. O CADE fez vistas grossas, e o ministério público não se movimenta para acabar com esse monopólio

Infelizmente quem quiser assistir o jogo do seu time de coração terá que pagar 70 reais pelo PFC, um absurdo.