quinta-feira, 19 de abril de 2012

Reflexo condicionado

Não vi o jogo, não vou dizer que a arbitragem do Alicio Pena Junior foi caseira, não vou dizer que o ABC jogou bem ou mal, nem que o Vitoria foi heroico, não posso atestar nada por que não vi. Vi só os gols. Nem a transmissão de radio eu posso usar como parâmetro, já que fiquei muito agitado e não consegui escutar nada que preste.

Vou falar de outra coisa, entenda como quiser. Vou falar de reflexos condicionados. 

No final do século XIX, um fisiologista russo chamado Ivan Pavlov (1849-1936), ao estudar a fisiologia do sistema gastrointestinal, fez uma das grandes descobertas científicas da atualidade: o reflexo condicionado. 

O reflexo condicionado consiste em criar uma serie de condições repetitivas de maneira a fazer com que o corpo reaja sempre da mesma maneira, sempre que um estimulo predeterminado for acionado. Assim que esse estimulo é percebido, o corpo reage de maneira involuntária, executando tudo a que foi previamente condicionado, doutrinado, ensaiado, treinado...

Alguém já atendeu o telefone de casa dizendo assim - "Empresa tal, em que posso ajudar?" - isso é reflexo condicionado. 

Alguma semelhança, não é mera coincidência. 

Como se explica o ABC ter jogado, quem sabe a sua melhor partida na temporada, e inexplicavelmente recuou nos últimos 15 minutos de jogo sofrendo uma grande virada? Só conheço uma resposta, o reflexo condicionado.

No momento em que Leandro Campos sacou o machucado Washington, para colocar mais um zagueiro em campo, só podia resultar em algo como o que aconteceu. É automático, como comprovou o fisiologista russo Ivan Pavlov no inicio do século XX. O corpo, ou equipe, que são treinados para ter a defesa como a grande resposta a tudo, quando estimulados a assumir uma postura defensiva, só podem reagir defensivamente. 

O ABC que poderia ter jogado de maneira segura, sem a presença de mais um zagueiro, adotou postura ultra defensiva atraindo o adversário para dentro de sua área. As faltas cometidas dentro da área seriam fora, se a bola estivesse mais tempo fora da área ABCdista e assim por diante. A maneira mais segura de se defender é permanecer com a bola. O ABC nunca é senhor da bola, a bola é sempre do adversário. 

Antes que falem alguma coisa, o russo Ivan Pavlov foi vencedor do Nobel de medicina com este estudo em 1904. 

PS. Tem muita coisa que precisa ser revista no ABC. Tem muita coisa podre de tão maduro...

PS2. É evidente que o ABC não tem um baita time de futebol, mas desde 2010 que o ABC joga sempre no arrepio, no sufoco, na bacia das almas. Dá para se contar nos dedos, momentos de um futebol de bom nível em todos os sentidos, independente do elenco alvinegro.

2 comentários:

Plínio Altoé disse...

O sentimento do jogo de ontem é exatamente o de fim de namoro: Você fica puto, não quer ver ninguém, falar com ninguém, pensa como teria sido direferente se tivesse acontecido alguma coisa de alguma forma diferente, pensa em mil possibilidades do que deveria ter sido feito e não fez, mas sabe que não tem mais jeito, pois passado é passado. Só o tempo vai tirar do peito essa sensação ruim. Por mais que digam que isso não é o centro do universo - e seu lado racional diz que não é - você não consegue parar de pensar e volta e meia aquela lembrança desgraçada vem a mente. Dai passa um tempo, mais ou menos um mês e bate aquela saudade e você pensa em voltar correndo de braços abertos, e fazer de conta que nada aconteceu. Tempo, tempo, tempo, tempo.....

Black Ace disse...

Você devia dar uma palestra no ABC sobre isto. Sério mesmo. Falar isto pra diretoria, técnico e jogadores.