sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Natal dançou... 2

Jornal do Dia.

A PPP para a construção da arena das dunas nasceu aleijada e se perdeu no meio do deserto em que se transformou o sonho da copa de 2014.

Uma Parceria Público Privada é a união de empresas privadas e do governo para executarem juntos uma grande obra. Mas qualquer empresário só entra em um negócio gigantesco como esse se tiver garantias de que pode arcar com o imprevisto do insucesso. As empresas depositaram dinheiro e assim apresentaram capacidade financeira. E o Estado? É aí onde está o problema.

O que vou dizer agora foi o motivo que afugentou as empresas que já tinham apresentado o interesse de entrar no projeto mas acabaram desistindo: 

O fundo garantidos do estado é fajuto, simplesmente não existe, é uma falácia, uma maquiagem em torno de um projeto gigantesco e milionário. O governo ofereceu terrenos valiosos como garantia, mas a maioria desses terrenos, ou os melhores, já está penhorada, ou listada como garantia de pagamentos de dívidas do estado junto a União.

Ora, quem é o louco que vai entrar num negócio com um sócio que já está quebrado? É o que se chama de falta de liquidez, ou seja, a garantia financeira do estado não existe. 

É como se você oferecesse o mesmo bem seu como garantia para dois empréstimos em bancos diferentes.
Tentaram enganar todo mundo.

Mas a comissão responsável pela elaboração de toda a encenação do Estado para ludibriar os empresários esqueceu que não existe menino bobo nessa história. As empresas descobriram essa brincadeira de mau gosto. Pesquisaram e descobriram que o fundo garantidor só garantia que chegariam ao fundo, bem fundo mesmo. 

O pior é que a comissão foi avisada da burrice que era a tentativa de estabelecer essa PPP, e mesmo assim insistiu. Setores empresariais alertaram que dessa forma, as empresas não participariam do negócio.

E não houve a tentativa apenas de enganar as empresas, eles também tentaram enganar a todos os que torcem pela realização da copa. Para se ter uma idéia da maneira com que agiu o comitê, na primeira sessão de abertura dos envelopes, aquela que foi cancelada porque as empresas teriam pedido mais tempo, na verdade foi cancelada porque já não compareceu nenhuma empresa. O Estado sabia disse e inventou a desculpa de que houve o pedido de adiamento. Aí insistiram na segunda data, e mais uma vez as empresas não foram, obviamente. Então ficou difícil esconder a verdade.

Só existe de fato uma única saída para que a esperança não seja enterrada, governo assumir definitivamente a construção da arena das dunas. O difícil é saber se existe capacidade de endividamento para garantir os empréstimos necessários de mais de 400 milhões de reais. Caso contrário o RN perderá mais uma grande oportunidade de se desenvolver.

As vezes penso que, como dizem La no meu interior, enterraram um burro nas nossas dunas, ou esse bicho está vivo e agindo.

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