sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O que parece faltar mesmo é vontade de fazer acontecer

A pouco mais de 48 horas do confronto contra o Salgueiro lá na cidade que leva o mesmo nome do clube, ainda paira a incerteza sobre a possibilidade de tal compromisso do Mais Querido ser transmitido para Natal.

No entanto, pelo tempo exíguo, tudo indica que quem não tiver abnegação, estômago e coragem de se deslocar até o sertão pernambucano, terá que se contentar com a estressante transmissão pelo rádio.

Impressionante como a imprensa do RN é parada no tempo e ao mesmo tempo derrotista e frouxa.

Aproveitando a crescente regionalização das programações televisivas, clubes como Fortaleza, Paysandu e Rio Branco firmaram parcerias com emissoras de TV locais para que seus jogos fossem transmitidos ao vivo. Não sei como deve estar acontecendo nos grupos do Centro-Sul, mas é provável que clubes como Criciúma, Juventude, Caxias e Brasil de Pelotas também tenham firmado tais parcerias.

Escutar jogo apenas pelo rádio, com todo o respeito aos profissionais da imprensa - alguns dos quais são muito bem gabaritados - é algo fora de moda, principalmente por conta dos avanços tecnológicos que dão suporte aos meios de comunicação. Torcedor hoje quer ver o seu time em ação, para ele próprio tirar suas conclusões.

As transmissões pelas rádios são legais quando nós estamos dentro do estádio ou até mesmo vendo o jogo pela TV, serve apenas como um meio de informação complementar. Sem imagem, não tem graça alguma.

Mas voltando ao tema das transmissões dos jogos do ABC na Série C pela TV, fica a impressão de que falta mesmo é vontade de fazer acontecer.

Na 2ª Rodada da Série C liguei para a TV União pra saber da possibilidade deles reeditarem as transmissões, tal qual aconteceu em 2007. A pessoa que me atendeu foi curta e grossa dizendo que não iria transmitir porque a cbf não havia liberado. Ao mesmo tempo da ligação, meu televisor estava ligado na TV Diário, que transmitia direto da Arena da Floresta Rio Branco x Fortaleza.

Dias depois soube que Vicente Estevam tratou de difundir o trololó de que a cbf/Globo havia proibido as transmissões. Nem a velhinha de Taubate, no apogeu de sua caduquice, ele consegue enganar.

Também não acredito muito na desculpa derrotista de que transmitir jogo fora do RN sai caro. Existem milhares de alternativas, principalmente com a tecnologia que a imprensa possui ao seu dispor. Isso sem falar na audiência em Natal.

Me lembro muito bem que na Série C 2007 até a internet chegou a transmitir uns jogos do ABC - o site Diário da Manhã, de Goiânia - nem é preciso dizer que o pessoal responsável ficou impressionado com a acessibilidade do site pela Frasqueira.

A Série C é hoje um produto extremamente desprezado e desvalorizado, a própria cbf não liga pra competição. Portanto inexiste qualquer empecilho.

O grande problema é que as emissoras de TV não gostam do futebol do RN, são formadas em sua maioria por jornalistas cordeirinhos e subservientes as ordens do sul. Quando o ABC estava na Série B, p.ex., a InterTV ou a Rede TV local poderiam muito bem ter negociado com a matriz para transmitir a maioria dos jogos dos clubes norte-rio-grandenses nos sábados à tarde. Isso traria um IBOPE diferenciado para qualquer uma delas, assim como a TV União sempre teve nos jogos do ABC os seus picos de audiência.

É talvez por conta desta mentalidade derrotista, provinciana e medíocre que o futebol do RN, e o próprio Estado como um todo nunca vai para frente. É esse tipo de mentalidade que p.ex. tá fomentando a exclusão de Natal como uma das sedes da Copa de 2014.

Gustavo Lucena

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Um comentário:

Diego Ivan disse...

É bem por aí mesmo Gustavo.

Pra você ver como as coisas aqui são provincianas, somente a TV União tem cacife técnico de equipamentos para transmissões ao vivo.

Todas as outras teriam que alugar caminhões de transmissões, com capacidade de edição de imagens no local.

Lamentável... mas é isso mesmo, principalmente se lembrarmos que essas redes de comunicação pagam salários de esmolas, cobrem o cotidiano local ao bel prazer da politicagem local.

Além disso, o empresariado local simplesmente não entende a penetração de um patrocínio em um evento televisivo, preferem os carros de som, ou dos antigos reclames.

Abraço!!!