sábado, 20 de julho de 2013

O que falta é paixão pelo ABC

Pra quem já viu Sérgio Alves entrando em campo de muletas para estraçalhar o mequinha.

Pra quem já viu Wallyson comandar a redenção do ABC com os púbis estourados.

Pra quem já viu Ben-Hur suar sangue.

Pra quem já viu Ivan Terrível buscar fôlego de onde não tinha para dar uma última carreira pelo ABC.

Pra quem já ouviu atletas dizerem que ficavam arrepiados na hora do aquecimento dentro do vestiário.

Pra quem já teve atletas que foram campeões com salários atrasados, mas que depois foram recompensados porque o dinheiro sempre aparecia pra pagá-los.

É inaceitável hoje ver tantos atletas sem o mínimo de compromisso com o clube.

É inaceitável que o DM do ABC esteja tão cheio quanto o Walfredo Gurgel.

É intolerável que haja tantos garotos-propagandas das Havaianas que têm medo de colocar a perna na dividida, mesmo sendo muito bem pagos.

Antes gritávamos o nome, RG, CPF dos atletas. Hoje, isso não existe mais. Não há qualquer clima, qualquer paixão dos  atletas com o pavilhão. E a torcida, sentindo que o amor não é correspondido, vai cuidar de sua vida e assiste tudo a distância.

Hoje vou ao Frasqueirão, mas vou sem aquele tesão de outrora. É como se estivesse fazendo uma missão burocrática.

E essa burocracia me faz refletir sobre o que é hoje o maior desfalque do ABC no momento: a paixão pelo clube.

Apenas a Frasqueira - mesmo estando longe - tem feito a parte dela. É uma paixão unilateral, platônica.

Os atuais atletas - salvo honrosas exceções - não tão nem aí pro ABC, pra sua história. Somente os pratas-da-casa parecem ter algum respeito, mas os mesmos são discriminados e nunca jogam, mesmo tendo mais futebol que os protegidos de dirigentes e empresários.

A diretoria também se mostra indiferente. Não luta nos bastidores pelo ABC para que os jogos sejam em horários que o grosso da Frasqueira se faça presente, não defendem o patrimônio do clube, não impedem que o ABC seja roubado pelas arbitragens dentro do Frasqueirão e de quebra permitem que a PM nos faça de gato e sapato.

Enfim, não adianta trazer reforços, não adianta fazer pirotecnias para manter o torcedor junto do clube se não houver a paixão que construiu o clube nesses 98 anos.

Gustavo Lucena

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