segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tô com Paulo Autuori

Neste final de semana o técnico do Vasco da Gama Paulo Autuori concedeu entrevista a seção “Preto no Branco” do jornal O Globo. O treinador que estava Al-Rayyan do Qatar retorna ao Brasil após 4 anos e não poupa ninguém ao comentar o futebol Brasileiro no momento. Não preciso apresentar Paulo Autuori a ninguém. 

Estou reproduzindo parte da entrevista por também ter feito aqui varias criticas ao nosso futebol num passado recente, e é bom ver que um profissional do futebol tem a mesma visão que a minha.

Clique aqui para ter acesso a integra da entrevista concedida aos repórteres Marcos Penido e Mauricio Fonseca. 

 Imagem: Eduardo Naddar / Agência O Globo

Paulo Autuori: ‘Nossos treinadores ficaram para trás’

O futebol brasileiro ainda é o melhor do mundo?
Não podemos mais afirmar isso. Como somos os melhores do mundo, se os estádios estão sempre vazios, o calendário é péssimo e não temos organização? Mas ainda temos capacidade de renovar, em quantidade e qualidade, como nenhum outro país no mundo.

Hoje em dia é recorrente afirmar que o futebol brasileiro está atrasado taticamente em relação ao europeu. Você concorda?
Concordo. Infelizmente, isso tem muito a ver com a minha classe. Nossos preparadores físicos, fisioterapeutas e treinadores de goleiros são top, estão entre os melhores do mundo. Já nossos treinadores ficaram para trás. Muito por arrogância. Acham que sabem tudo, que são donos da verdade. Trabalhar no Brasil não é fácil, mas dizer que um técnico estrangeiro não teria sucesso aqui é um pouco demais. Será que o Guardiola não faria um bom trabalho se viesse trabalhar na seleção? Me parece mais insegurança do que qualquer outra coisa.

Afinal, por que você deixou a vida tranquila que tinha no Qatar e voltou para o Brasil?
Além de estar com saudade do meu país, da minha família, retornei para voltar a ter tesão no meu trabalho. Quero resgatar a essência do futebol brasileiro. Cresci vendo os nossos times e nossa seleção marcando por zona, com laterais ofensivos e meias de criação em abundância. Acho um absurdo times da base jogarem no 3-5-2 aqui no Brasil. Isso impede o surgimento de laterais e meias como estávamos acostumados.

Qual a formação tática que mais lhe agrada atualmente?
Gosto do tradicional 4-4-2, que permite mais variantes, como o 4-2-3-1, que está na moda. Mas, para usar este esquema, tem que ter jogadores com características para isso. Aqui, o 3 é composto por três meias. Não dá. É preciso que dois deles sejam atacantes e o outro um meia, que chega na frente e se aproxima do centroavante. Eu gosto de ter um atacante de referência.

O futebol está chato?
Demais. Tem jogo todo dia, está muito vulgarizado. Tem vezes que você faz questão de não acompanhar uma partida, de tão ruim que ela é. Ninguém aguenta tanto futebol assim. A vida não pode ser e não é só futebol.

3 comentários:

Breno Cardoso disse...

ele falou sobre estádios vazios, um dos principais culpados por isso é a Rede Bobo, que coloca jogos às 21:45 da noite... Como um Pai de família que tem que trabalhar cedo no outro dia irá assistir o jogo? Outra, os próprios dirigentes também tem uma parte de culpa nisso, fazem questão de deixar o preço do ingresso lá em cima. Temos o exemplo do nosso próprio ABC, que a diretoria não quer baixar nem no estadual.
A combinação desses 2 fatores torna-se mortal

Diego Ivan disse...

O que admirei na entrevista é a semelhança com o que acredito. Autuori é um sujeito estabelecido em sua profissão e que não teve medo de expor a sua categoria ao obvio.


O futebol brasileiro está ruindo a olhos vistos. .

Breno Cardoso disse...

Essa entrevista de Paulo Autuori me lembra o que o presidente do São Paulo disse uma vez numa entrevista, mais ou menos assim: "O Brasil é uma escola de jogadores brilhantes, mas não é uma escola de técnicos brilhantes"....