sexta-feira, 13 de abril de 2012

Entrevista: Edmo Sinedino

"Acho muito difícil o interior
surpreender esse ano
"
Edmo Sinedino, Ex-jogador e agora comentarista esportiva, tem uma visão bastante crítica sobre a forma que a imprensa trata o futebol “Não posso negar que existem sim alguns “profissionais” que se deixar levar pela paixão e falam muitas bobagen” diz o analista sobre a imprensa local. Edmo fala também sobre Campeonato Potiguar, Série B, Campeonato do Nordeste, CBF, Copa do Mundo, futebol de base muito mais. Confiram:

Papo Alvinegro - O Campeonato Potiguar 2012 teve uma excelente festa de lançamento, mas o que se viu foi um fracasso da competição em relação a presença de público – que teve uma média abaixo de 2 mil torcedores. A que se deve esse fracasso?

Edmo Sinedino - Infelizmente, isso é fato, o povo potiguar criou uma espécie de ojeriza ao nosso campeonato. Nada que se faça consegue atrair, e olha que tivemos ótimos jogos no primeiro tempo. Ainda acho que os anos de atraso e falta de credibilidade que tivemos com administrações de ex-presidentes – Nilson Gomes, Pio Marinheiro – têm muita influência para que continuemos com essa média baixa. Mas confio, sou otimista, de que as coisas possam melhorar.

P. A - ABC e América foram, inegavelmente, as equipes que mais investiram em contratação a exemplo de jogadores como Soares, Junior Xuxa, Cléber, Raul, Washington e Alisson e estão nas primeiras posições na classificação geral do Potiguar 2012. O título deverá mesmo fica na capital ou Baraúnas ou Santa Cruz podem surpreender?

E. S - Acho muito difícil que uma equipe do interior, esse ano, possa surpreender. ABC e América ainda são os candidatos mais fortes na disputa. E acho que o vencedor de domingo ganha o segundo turno, e se esse vencedor for o ABC, ele ganha o campeonato.

P .A - Você teve passagem, na época de jogador, por vários clubes. Um desses times foi o Alecrim que já teve grandes glórias com o bicampeonato nos anos 80, contudo a equipe alviverde vem, já a alguma tempo, passando maus momentos no Estadual. Qual a diferença do alecrim dos anos 80 para o atual?

E. S - Sem se igualar a ABC e América, nos anos 80 o Alecrim ainda contava com um bom número de empresários abnegados e torcedores, ainda havia a mística da camisa alviverde e notadamente no ano de 1985, dois irmãos – Tarcísio e Flávio Ribeiro – fizeram um grande investimento e o time verde montou um grande grupo de jogadores. Hoje, infelizmente, ninguém mais coloca dinheiro no futebol para não ter retorno. É essa a diferença.

P. A - Sobre as competições nacionais qual a expectativa da participação de ABC e América na Série B do Brasileirão? Qual seu palpite sobre a posição dessas equipes?

E. S - Isso tudo fica na dependência de vários fatores. Quem será o campeão. Quantas mudanças ainda vão ocorrer nas equipes, tudo, tudo mesmo ditado pelo grande escravagista do futebol: o resultado. Do jeito que está os dois clubes hoje, acho, cada um vai ter que
contratar oito ou dez jogadores melhores qualificados que os que estão aí para conseguir garantir uma boa participação.

P.A - O América vai jogar no Nazarenão ou a CBF deverá marcar os jogos da equipe rubra no Frasqueirão?

E. S - As coisas estão se complicando para o lado do América. As arquibancadas móveis, admitidas pela CBF são muito caras; não existe acordo para jogar no Frasqueirão, sinceramente é muito preocupante a situação do clube. Acho que a CBF vai intervir para que o time rubro possa jogar, mas de comum acordo com o ABC, no Frasqueirão.

P. A - Focando mais o ABC, o elenco desse ano é melhor do que o do ano passado?

E. S - Não. O ano passado o ABC tinha um grande time e um plantel pequeno, limitado, e não classificou porque errou nos reforços. Esse ano o ABC ainda precisa de reforços para montar esse time que, ano passado, já estava pronto.

P. A - Em 2013 a CBF promete organizar o Campeonato do Nordeste. O Rio Grande do Norte tem duas vagas com o ABC já classificado de forma antecipada. Qual a importância dessa competição?

E. S - Essa competição já foi tão importante que Ricardo Teixeira ficou com medo e mandou acabar. Hoje, tudo depende do interesse e do compromisso dos clubes participantes. Se fizerem como na última edição, escalando times reservas e não dando atenção, será apenas mais
um “caça-níquel”, mas se todos se juntarem e assumirem um compromisso de fazê-la grande, aí sim teremos mais uma grande opção para melhorar e estruturar nosso clubes.

P. A - Qual interesse da CBF em não mais deixar a Liga do Nordeste organizar a competição regional?

E. S - Porque a competição estava, como já disse agora a pouco, ganhando força, e a CBF teve medo que os clubes “aprendessem a andar com as próprias pernas” e tirassem a canga, realizando-a sem precisar da “madrasta”.

P. A - As federações sempre estiveram alinhadas ao discurso de Ricardo Teixeira e talvez por medo de retaliações. Teixeira deixou o cargo e Marin assumiu no lugar dele. O que essa mudança na CBF irá refletir no futebol local?

E. S - Eu acho que o futebol local e de todo Nordeste tem uma grande oportunidade de se fazer representar bem mais que antes. Mas para isso é preciso que os dirigentes se unam para brigar por um bolo inteiro, que beneficie a todos, mas infelizmente vão aparecer as barganhas e arrumados. Só acredito em mudança real no futebol do Brasil quando clubes, jogadores, imprensa, dirigentes de clubes, todos, todos possam votar para escolher o presidente. E se anulando de uma vez por todas qualquer oportunidade de reeleição.

P. A - Edmo torce pela Copa do Mundo em Natal? E você acredita que ela será realizada em Natal?

E. S - No começo, meio reticente, mas acredito que sim. Só não vamos ter todos os benefícios que nos prometeram. E aproveito para dizer que a derrubada do Machadão foi um grande equívoco.

P. A - Já faz algum tempo que você está trabalhando na mídia esportiva. A sua experiência com jogador facilita sua vida com analista esportiva?

E. S - E muito. Claro que tive que procurar aprender muito mais, e a gente aprende todo dia, mas ajuda demais. Dá para sacar melhor as pretensões de técnicos e jogadores, e dar para perdoar ou não, os erros de treinadores e jogadores. A convivência com muitos técnicos e outros jogadores me ajudaram muito a compreender esquemas táticos, posicionamentos, e mudanças que ocorrem durante uma partida, entre muitas outras coisas.

P. A - E como você avalia a imprensa esportiva local? Existe perseguição a algum clube?

E. S - Não posso negar que existem sim alguns “profissionais” que se deixar levar pela paixão e falam muitas bobagens, e fazem bobagens também. Isso prejudica demais ABC e América, principalmente, mas o pior são os que vivem à serviço de um e de outro. Me perdoem, mas não sei falar do tema para fugir ou para ser corporativista, mas hoje, infelizmente, sem qualquer qualificação um cara é colocado para falar de futebol. Já era assim antes no rádio, mas muito menos que hoje.

P. A - Conhecia o blog Papo Alvinegro? Como avalia esse blog feito por ABCdistas?

E. S - Conhecia, sempre acesso e gosto das informações, da linha editorial democrática e da versatilidade. Muitas informações. Vocês estão de parabéns.

P. A - Gostaria muito de agradecer pela oportunidade de podê-lo entrevista.  Abro espaço para mais alguma coisa que você queira acrescentar.

E. S - Queria aproveitar esse espaço dos abcdistas para pedir que houvesse uma conscientização maior entre os formadores de opinião para cobrar de nossos dirigentes, de nossos técnicos, e até mesmo da torcida em geral um tratamento mais respeitoso para os jovens valores, e além disso, mais oportunidades para que eles possam atuar, e quando em ação, apoio da torcida. O nosso futebol só vai crescer de verdade no dia que todo mundo entender a importância do jogador feito em casa. É isso, obrigado a vocês, e foi um imenso prazer.

Um comentário:

Alexandre Costa disse...

Mais uma vez, mais uma grande entrevista. Parabéns!
Edmo Sinedino é um dos poucos jornalistas profissionais que eu respeito.
Abraços!
Alexandre Costa
http://blogarcosta.blogspot.com.br/