domingo, 28 de novembro de 2010

A velha celeuma sobre os pontos corridos: problemas e soluções para acabar com esse trololó

Não morro de amores pelo sistema de pontos corridos adotado pelo Campeonato Brasileiro.

Porém isso não impede de considerá-lo o mais benéfico para os clubes, os jogadores e até mesmo os torcedores.

Fiquemos no exemplo do nosso ABC.

Em 2008-2009 o Mais Querido esteve com agenda fechada até o final de novembro, algo que felizmente se repetirá em 2011.

Em 2010, inserido na Série C, o ABC não tinha um calendário fixo.

Originalmente seria forçado a ficar 2 meses de molho e graças ao Campeonato do Nordeste na época da Copa do Mundo pode manter o time em atividade.

E na Série C a cada rodada o Mais Querido corria riscos de ver o futebol profissional abreviar suas atividades por causa do regulamento de merda da competição.

Sejamos razoáveis: essa Série C só foi maravilhosa porque fomos campeões e deu tudo certo para gente. Tal qual aconteceu no stressante ano de 2007, quando enfrentamos uma Série C ainda mais mortal e complicada. Se o contrário tivesse acontecido, estaríamos cuspindo fogo com a fórmula de disputa, tal qual aconteceu em outras temporadas.

Essa explicação prévia faz sentido porque o sistema de pontos corridos mais uma vez vem sendo contestado pela grande imprensa, em especial a Rede Globo, muito embora ela não tenha emitido uma opinião oficial através de seus profissionais, mas vem agindo nos bastidores para mudar a fórmula de disputa ano após ano.

O argumento da vez: os clubes que num determinado momento da competição não aspiram mais nada e passam a cumprir tabela entram em campo com o único fito de prejudicar um rival histórico caso este ainda esteja disputando algo (título, vaga em competição internacional, permanência na divisão).

Não podemos fechar os olhos para esses fatos, porém a história nos denuncia que não é a fórmula de disputa o fator determinante para essas entregadas e corpo-moles.

Na minha memória veio o Camp. Brasileiro de 1996, quando o Fluminense para permanecer na Série A precisava vencer o seu jogo e torcer para que o Atlético-PR impedisse uma vitória do Criciúma em plena Arena da Baixada.

O clube paranaense já estava classificado para os play-offs daquela temporada, mesmo assim precisava da vitória para ter vantagens no mando de campo e para jogar por resultados iguais. Mesmo assim eles não se empenharam para obter o feito motivados por um incidente com o time carioca. Abriram as pernas para o time catarinense por pura retaliação.

Em 2002 vários clubes abriram as pernas para times como Paysandu, Bahia, Vitória, etc. apenas para verem Palmeiras e Botafogo serem rebaixados.

Em 1991 o Flamengo perdeu para o Sport com direito a um golaço contra do cracaço Júnior Capacete, resultado que rebaixou o Grêmio.

Citei essas 3 temporadas apenas para constatar que mesmo se fosse adotada a fórmula mista (pontos corridos + mata-mata), não estaríamos imunes a entregadas propositais, corpos-moles e malas de todas as cores.

Logo, chegamos a conclusão de que essas presepadas não é decorrência do sistema de disputa.

É consequência de um calendário mal elaborado, seja o nacional, seja o continental.

Não faz sentido que competições de tamanho peso como Libertadores e Copa do Brasil sejam abreviados em apenas 1 semestre.

Na Europa, que é o modelo perseguido pela turma pró-pontos corridos, tanto a UEFA Champions League/Europa League como as Copas Nacionais encontram-se espalhadas ao longo da temporada, encerrando apenas ao final desta.

Essa melhor distribuição acarretaria algumas consequências:

1º) Os clubes inseridos em várias competições seriam obrigadas a manter o foco em todas elas. Peguemos p.ex. o Internacional. Se a Libertadores se encerrasse agora em novembro, ao invés de em agosto, ele teria que manter o foco em ambas as competições, não teria como priorizar apenas uma, pois correria o risco de ficar "chupando o dedo" em ambas. Mesma coisa aconteceria com o Santos, caso a Copa do Brasil também fosse prolongada ao longo do ano.

2º) Os clubes que só estivessem inseridos no Camp. Brasileiro teoricamente seriam aqueles com elencos mais modestos, poderiam equilibrar as forças com os clubes inseridos nas fases finais das competições continentais e na Copa do Brasil, teoricamente mais fortes. Esse equilibrio acarreta num campeonato mais equilibrado.

3º) Poderia-se também criar mais competições no 2º semestre valendo vagas para a Copa Sul-Americana. Os campeonatos regionais poderiam preencher esse espaço. Com isso o Campeonato Brasileiro teria menos vagas para a Sul-Americana e elas seriam disputadas a tapa pela turma do pelotão intermediário, acabando com a cômoda situação de que quem está em 11º na tábua de classificação não aspira mais nada.

Além desses reparos no calendário, outra alteração que deveria ser feita é na própria tabela. Os clássicos estaduais e regionais devem ser agendados para as últimas rodadas, com isso as entregadas diminuiriam.

Essas propostas valorizariam e trariam uma maior credibilidade as competições nacionais.

Além disso, saciaria a sede daqueles que defendem que o final da temporada deva ter grandes decisões capazes de mobilizar o país. As finais da Copa do Brasil e da Libertadores poderiam ocupar respectivamente o último domingo e a última quarta-feira da temporada.

Feito isso, creio eu que o calendário de futebol estaria mais interessante.

Gustavo Lucena

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