quinta-feira, 10 de junho de 2010

Copa do Mundo, calendário e contusões #19

Uma cena bastante comum em todas as seleções nos últimos anos.

As vésperas de começar a Copa, as seleções começam a sofrer desfalques de jogadores de grande importância.

Coincidência ou não, a maioria dos casos são de jogadores oriundos do futebol europeu e de países que nos idos de maio/junho estão encerrando a temporada de competições.

A Copa do Mundo, até onde eu sei, sempre iniciou após o término da temporada européia.

Todos nós sabemos que no hemisfério Norte, via de regra, o calendário de competições e mesmo das mais diversas atividades costuma ser bienal, iniciando-se em agosto/setembro e encerrando em maio/junho.

No que tange as atividades esportivas de grande esforço físico, isso se justifica pelo fato de que nos meses de do meio do ano as temperaturas são mais altas em razão do verão do hemisfério norte, e por isso a prática de atividades nesta época ocasiona um desgaste maior. Quem não se lembra dos jogos surreais ao meio-dia no Texas, válidos pela Copa de 1994?

Portanto, as Copas do Mundo já ficam comprometidas pelas altas temperaturas quando sediadas no hemisfério norte.

Além desse fator natural, tem a questão do calendário.

Tudo bem que na Europa sempre se aplicou o calendário bienal (a exceção está nos países do extremo norte como Suécia e Rússia, que adotam um modelo de calendário similar ao brasileiro em razão de que o inverno nesses países é tão rigoroso que impede a prática do futebol), porém acontece que a cada ano que passa o calendário de competições vem se tornando mais inchado.

Para se ter uma idéia, antigamente a Uefa Champions League era disputada no sistema de play-offs puro e simples, com poucos clubes. Os calendários eram muito mais enxutos e com isso os atletas que atuassem no futebol europeu chegavam menos desgastados ao fim da temporada. E com isso sobrava gás para que eles disputassem a Copa do Mundo em alto nível.

Com o aumento da competitividade das competições de clubes e a necessidade de mais datas para organizar campeonatos e copas com formatos mais interessantes no aspecto financeiro e técnico, cada vez mais o atleta se ver obrigado a disputar mais jogos e com isso chega aos meses de maio e junho estafados.

Por isso que as últimas Copas vem sendo marcada por um nível técnico sofrível.

Por isso que os atletas que chegam a Copa após um certo período inativo em razão de alguma contusão costumam se destacar. Quem não se lembra da dupla Rivaldo e Ronaldo em 2002, ambos vinham de um certo tempo de estaleiro e foram os melhores atletas daquela competição?

Acho que diante da iminência de mais uma Copa de nível técnico sofrível, marcada pela fadiga (apesar de ser disputada no inverno sul-africano), estaria mais do que na hora da FIFA e das próprias entidades que adotam o calendário bienal refletirem sobre o tema.

Por que não unificar o calendário futebolístico e adotar um modelo em que as competições terminem e comecem no mesmo ano?

As competições de clubes começariam em janeiro/fevereiro, teriam um intervalo entre junho e julho, seriam retomadas em julho e se encerrariam em novembro/dezembro.

A Copa do Mundo e as competições das seleções em geral, tais como a Eurocopa, a Copa América e as Eliminatórias continuariam a ser disputadas em junho/julho, porém os atletas estariam menos desgastados e numa melhor condição física para proporcionar a principal competição do planeta um nível técnico mais acurado.

Essa idéia tem como grandes entusiastas o Presidente da FIFA, Joseph Blatter e o eterno capitão da Seleção Alemã Franz Beckenbauer.

Por isso, ao contrário do que pregam alguns importantes cronistas da imprensa brasileira, sou totalmente favorável a manutenção do calendário do futebol brasileiro coincidindo com o ano solar, que é um modelo que deveria ser copiado pelos países europeus.

Gustavo Lucena

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Um comentário:

Diego Ivan disse...

Rapaz, nem tudo é o que parece.

O calendário Europeu pode não ser o Solar, mas tem sentido de ser. Eles jogam no calendário de inverno deles, já que no verão as temperaturas são de 40 a 50 graus na Europa. No inverno, na maioria dos países, não dá para se jogar no inverno, por isso países como Rússia Finlândia e outros menos cotados utilizam o calendário Solar.

O ponto da questão não é europeu, o ponto é Brasileiro. Faria-se uma adequação, que por exemplo já existe em todo os países da américa do sul menos no Brasil, para evitar que jogadores brasileiros sejam negociados no meio da temporada brasileira durante a abertura de mercado na Europa.

Simples assim, quanto as temperatura, durante o Verão os times já jogam pelos estaduais, em janeiro, qual o problema de se jogar entre dezembro e janeiro? Aqui no RN a temporada começou em 21 de janeiro.

A Copa a cada dia perde espaço, já que os clubes é que pagam o pato por emprestar atletas as Seleções. Hoje já se joga bem menos do que a algum tempo, por exemplo: Campeonatos como o Espanhou, Italiano e Inglês já tiveram 24 equipes em sua primeira divisão, ou seja 46 jogos ao invés dos 38 atuais. A champions já teve duas fases de grupo, o clube campeão fazia no mínimo 6 jogos na 1ª fase, mais 6 na segunda , 2 na semifinal e 1 na final. Ao todos seriam 15 jogos. Hoje são 13. Sem falar nas copa regionais, que na Inglaterra, Portugal e França são duas.

O problema não é o numero de jogo, o problema é a carga excessiva de treinamentos. Se esses atletas treinassem menos jogariam mais, mas isso não irá acontecer por que os clubes querem vencer as competições e não fazer um atleta campeão por sua seleção.

O problema não é tão simples. A adequação européia não faria a menor diferença.

Abraço!!!